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Febraban Tech 2026: segurança e a nova infraestrutura por trás dos pagamentos

Febraban Tech 2026: segurança e a nova infraestrutura por trás dos pagamentos

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O pagamento que acontece em poucos segundos esconde uma infraestrutura com dezenas de decisões, verificações e camadas de controle. Para o consumidor, a expectativa é de uma jornada rápida e sem atritos. Para as instituições financeiras que processam essas operações, a realidade é muito mais complexa.

O Febraban Tech 2026, foi realizado entre 24 e 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Em sua 36ª edição, o evento reuniu cerca de 70 mil visitas, crescimento de 20,7% em relação ao ano anterior, além de 220 painéis, 627 palestrantes e aproximadamente 300 empresas. O tema escolhido para a edição “Agentes inteligentes, liderança humana”, colocou a inteligência artificial no centro da agenda, mas as discussões mostraram um desafio ainda mais amplo: como integrar novas tecnologias, acelerar as transações e tornar as experiências cada vez mais simples sem comprometer segurança, controle, compliance e responsabilidade?

Para nós, essa foi uma das perguntas mais relevantes que ficaram do Febraban Tech 2026.

Simplificar na ponta, sem transformar a jornada em obstáculo

O Brasil já resolveu uma parte importante dos pagamentos: fazer o dinheiro circular de forma rápida, digital e instantânea. E quanto mais a tecnologia avança, mais invisível deve ser sua complexidade para o usuário.

O Pix é um exemplo claro dessa transformação. Uma operação que anteriormente poderia envolver diferentes etapas, instituições e tempos de processamento passou a ser concluída em segundos. Na mesma linha, o Open Finance ampliou a capacidade de compartilhamento de dados e integração entre instituições. A digitalização acelerou o acesso a produtos financeiros e mudou a expectativa dos consumidores sobre disponibilidade e conveniência.

Segundo a Pesquisa Febraban 2026, o sistema bancário brasileiro movimenta cerca de 240 bilhões de transações anuais, das quais 83% ocorrem em canais digitais. O Open Finance já ultrapassa 154 milhões de consentimentos ativos, levantando o questionamento sobre como e estruturar esse volume de dados e qual é o papel da interoperabilidade na construção de novos produtos e serviços financeiros.

Essa mudança traz uma consequência direta para os meios de pagamento: à medida que a transação se torna mais rápida e menos perceptível para o consumidor, diminui também o tempo disponível para identificar uma operação de risco.

No Pix, por exemplo, a velocidade que melhora a experiência do usuário é a mesma que reduz a janela para uma instituição interromper uma transação fraudulenta antes que o dinheiro seja movimentado.

Cloud, APIs, dados, automação e inteligência artificial precisam trabalhar sobre uma infraestrutura capaz de processar informações, autorizar operações e identificar comportamentos suspeitos praticamente em tempo real. Ao mesmo tempo, o aumento da conectividade entre produtos, canais e instituições amplia a quantidade de informações que precisam ser consideradas para compreender o risco.

A complexidade, está na necessidade de entender quem está realizando uma operação, em qual contexto, por qual canal e se aquele comportamento é compatível com o histórico e a identidade daquele cliente.

E essa necessidade se torna ainda mais urgente porque a tecnologia que tornou os pagamentos mais rápidos e acessíveis também ampliou a capacidade de atuação de quem tenta explorá-los de forma ilícita.

Por isso, a prevenção se concentra nas etapas anteriores ao pagamento.

Antifraude e KYC

O risco de uma operação financeira não começa no momento em que o dinheiro é movimentado; ele começa no cadastro de um cliente, na abertura de uma conta, na autenticação ou no comportamento que antecede uma transação.

É por isso que o antifraude precisa ser compreendido como parte de uma mesma arquitetura de confiança, para além de uma exigência de compliance.

O Know Your Customer (KYC) exerce uma função operacional, a de estabelecer, desde o início da jornada, um nível adequado de confiança sobre quem está entrando no ecossistema. Isso envolve validação documental, biometria, checagem de PEPs, sanções e monitoramento comportamental contínuo. Quanto mais cedo um sinal atípico é identificado, menor é a necessidade de bloqueios reativos na transação.

A lógica é a seguinte, se a instituição consegue construir uma visão mais confiável sobre a identidade e o comportamento do cliente antes da transação, aumenta sua capacidade de avaliar o risco quando aquela transação efetivamente acontece.

Essa mudança é importante diante do avanço das chamadas identidades sintéticas. Em vez de simplesmente roubar os dados completos de uma pessoa, um fraudador pode combinar informações reais e falsas para construir um perfil aparentemente legítimo. Fragmentos de informações disponíveis em diferentes ambientes podem ser associados para formar uma identidade que, analisada isoladamente, não necessariamente aciona os mecanismos tradicionais de alerta.

Porém, existe o outro lado dessa equação. Quanto mais mecanismos de segurança são adicionados à jornada, maior pode ser a fricção para um cliente real.

O desafio contemporâneo do antifraude é, portanto, encontrar o equilíbrio entre segurança e fluidez. As instituições precisam proteger a transação sem transformar a segurança em uma barreira para quem está tentando realizar uma operação legítima.

É uma cadeia contínua de confiança, e quanto mais eficiente essa cadeia se torna, menor precisa ser a interferência visível na experiência do usuário.

Beeteller na Febraban Tech 2026


Rômulo Barreto, co-CEO; João Freitas, CEO; e Wiliam Buzatto, Diretor de Tecnologia e Produtos, representaram a Beeteller durante os três dias do evento, em conversas com parceiros e diferentes players do mercado financeiro.

A nossa participação reiterou quatro movimentos prioritários para o futuro do setor:

  • Inteligência Artificial: direcionada para qualificar a tomada de decisão;

  • KYC: focado em construir confiança sem gerar atrito no onboarding;

  • Antifraude: estruturado para mitigar riscos sem impactar clientes legítimos;

  • Infraestrutura: desenhada para absorver a complexidade operacional e simplificar a ponta final.

Absorver essa complexidade de bastidor para entregar simplicidade ao usuário é a grande oportunidade da próxima geração de tecnologia financeira.

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